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A Confraria da Alcatra
A Carta, com o
roteiro turístico da Alcatra, “com verdade”, é a primeira
grande tarefa a que se propõe a Confraria da Alcatra, “depois de
devidamente organizada”.
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cortesia "A união"
Com o título
sugestivo de “Os Caminhos da Alcatra”, a Carta pretende distinguir e
divulgar os restaurantes da Terceira que confeccionem a alcatra “como
deve ser”. No fundo trata-se de um roteiro turístico de
divulgação de um dos pratos “mais típicos e
emblemáticos da ilha”. Paralelamente Pedro Rosa,
Grão-Mestre da Confraria, defende que, além da sua
inclusão neste roteiro, os restaurantes que “defendam a verdade
da alcatra”, recebam também o respectivo Diploma de
reconhecimento da Confraria que atestará a sua qualidade,
recomendando-a , não só a nível local, mas
também “a quem nos visita”, já que, considera, “a boa
gastronomia é um dos nossos cartazes turísticos mais
fortes”. Logo, concluiu, “defender a alcatra é também
defender o turismo e o património cultural da Terceira”.
Pedro Rosa, em declarações à União,
considera mesmo um “dever” da confraria contribuir para a
preservação e dignificação da Alcatra: “Em
casa fazemos como queremos ou podemos, mas em termos de oferta
turística só se pode admitir que se sirva alcatra feita
com todos os requisitos, ingredientes e condimentos, de
preferência com vinho verdelho, ou, em alternativa, com vinho
branco, com o tempo certo de confecção em alguidar de
barro, forno de lenha, e coberta com folha de inhame”.
Um segundo passo será alargar essa Carta a outras “rotas” por
onde chegou a alcatra, partindo da Terceira, desde logo a outras ilhas
até à diáspora.
Defender o “Princípio”
Pedro Rosa, falando em nome da Confraria, como seu primeiro
responsável, diz ainda que outro dos grandes objectivos
prende-se com “o estudo das diferentes alcatras, de freguesia para
freguesia”. Um estudo que pretende conhecer as diferenças e a
“localizar pessoas que sejam conhecedoras da Alcatra. Ainda há
quem saiba fazer uma boa alcatra!”
Reconhecendo a diversidade de receitas por toda a ilha Pedro Rosa, faz
questão de vincar que a confraria defende não “esta ou
aquela” mas o “princípio” de como se confecciona a alcatra,
naquilo que todas têm em comum e que as torna num prato
único.
Numa fase posterior Pedro Rosa acalenta o sonho de a Confraria fundar o
futuro Museu da Alcatra, para preservar não só receitas
antigas, mas também alguidares com séculos e outros
utensílios que testemunhem a história da alcatra.
Projectos que a Confraria considera prioritários na sua
acção: “Não existimos apenas para nos juntarmos
para saborear a alcatra, mas também para contribuir para a sua
preservação e para a sua divulgação”.
Pedro Rosa considera mesmo que, por tudo isto, e principalmente porque
estamos a falar de um prato “genuinamente típico da Terceira”,
se há alguma confraria na ilha com “legitimidade” de existir
é, “paralelamente à do Vinho Verdelho, a da Alcatra”.
Projectos para breve após a ultimação dos aspectos
organizacionais. Após o registo oficial da Confraria, a 22 de
Abril último , dia em que a Confraria organizou o seu primeiro
jantar, precisamente, atente-se no simbolismo, no restaurante “A
Alcatra” na Fonte do Bastardo, e da realização da
primeira Assembleia Geral , a 2 de Maio, para a
constituição dos seus principais órgãos
sociais - Capítulo Geral (Assembleia Geral) presidido pelo
Grão Conselheiro, Milton Sarmento; Directório dos
Notáveis (Direcção), presidido pelo Grão
Mestre, Pedro Rosa; e o Colégio dos Inquisidores (Conselho
Fiscal), cuja primeira figura é a de Mestre Inquisidor,
protagonizada pelo Padre Abílio Morais – falta agora à
Confraria eleger o Conselho de Anciãos, bem como proceder
à aprovação do Hino, das vestes e das
Insígnias (todas em curso), para que a Confraria possa ser
“devidamente empossada”, em cerimónia oficial, depois da
cerimónia religiosa na Sé.
Sandra Garcia Bessa
Foto: Fausto Costa/Fotaçor
fonte:
A União
Maio
2005
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