Aos 30 anos... Alpendre apresenta - Combate
“à inércia” com programação
diversificada
No ano dos 30 anos o Alpendre – Grupo de Teatro apresenta... Duas
peças de teatro; quatro recitais de poesia; duas performances;
uma homenagem a Álamo Oliveira e o “Átrio dos Actores”.
Com nova direcção, presidida por Paulo Freitas, o grupo
de teatro angrense fez, ontem, em conferência de imprensa, na sua
sede social, a apresentação da
calendarização de espectáculos e a
inauguração de um novo espaço – o “Átrio
dos Actores”.
Este novo “Átrio”, na antecâmara da sala de
espectáculos, servirá para que seja prestada homenagem a
todos os que de alguma forma contribuíram para trazer o grupo
até aos dias de hoje, sendo a primeira homenagem a prestar aos
sócios fundadores.
Para além disso, o renovado espaço pretende “promover e
divulgar eventos das mais variadas áreas de interesse cultural e
apostar, essencialmente, nas produções regionais (...)
justificando-se, também, pela necessidade de criar na ilha um
espaço alternativo em que as pessoas possam partilhar a sua
paixão pelo teatro e, ainda, outra experiências e
conhecimentos num ambiente de convívio”, frisou a
direcção do Alpendre.
Com a inauguração deste espaço, ontem à
noite, o grupo angrense deu o pontapé de saída, em ano de
aniversário, para a execução de um vasto plano de
trabalhos. Desde logo, a estreia, a 24 de Março próximo,
de um recital de poesia intitulado “Uma Questão de
Género”.
Em Abril, surgirá o primeiro momento alto: a estreia (dia 14) da
peça “Os Nomes que Faltam”, de Carlos Alberto Machado. O texto
dramático estará em exibição durante
praticamente um mês (dias 14, 15, 21, 22, 28 e 29 de Abril).
No mês de Maio, um recital de poesia e a estreia de uma
performance (exercício de apresentação de um
trabalho, que não tem, necessariamente, um texto de base). Para
o dia da Mãe, os artistas do Alpendre vão apresentar um
recital de poesia intitulado “A minha mãe nasceu”, enquanto que
para o final do mês (dia 26) será estreada a performance
“O teu corpo começa”.
Entretanto, passam os meses em que tudo se faz na Terceira e, em
particular, no concelho de Angra do Heroísmo, e o Alpendre
pára para não sobrecarregar ou concorrer com
ninguém, voltando em Setembro com a estreia de outro recital de
poesia a que designou “Eros Meus”.
No mês da celebração da Implantação
da República, o grupo levará ao público mais uma
performance intitulada “Dualidade”.
Com Novembro chega o segundo ponto alto da programação
estabelecida – a estreia de “Essas Mulheres... ou She By The Three of
Them”, de Isis Baião (em cena nos dias 10, 11, 17, 18, 24 e 25
de Novembro).
Para o último mês do ano, mês de apagar as trinta
velas do bolo, o Alpendre fará a estreia de mais um recital
(“Quero Ser Eu”) e, em data a confirmar, uma homenagem a Álamo
de Oliveira a que se designou “O meu coração é
assim”.
Actores... Procuram-se
Projectos, de facto, não faltam. Porém, faltam actores e
actrizes. Paulo Freitas, presidente da direcção do grupo
de teatro angrense, frisou as dificuldades que têm estado a
sentir, nas últimas duas semanas, para conseguir recrutar sete,
sim apenas sete, pessoas para interpretar as personagens de “Os Nomes
que Faltam”.
Casting’s serão um possibilidade, formação
também... Todavia, admite a direcção do grupo,
não é só ao Alpendre que depende fazer a
formação. Actores e actrizes até há em
número, mas, uma grande maioria, está vocacionada para o
teatro popular, como o Carnaval, e, por isso, neste momento não
se mostram disponíveis para entrar em outros projectos.
Para Paulo Freitas existem projectos independentes que têm estado
(e muito bem) a fazer formação com jovens e adultos,
casos de Eduarda Borba e Valter Peres, respectivamente, salientando que
nos findos meses do pretérito ano a Direcção
Regional de Cultura, também, procedeu a uma vasta
formação no âmbito do teatro e expressão
dramática.
Mais oferta para
combater “inércia”
Pretendendo fazer sair o Alpendre da dependência do passado e do
“presente adormecido”, mas sem fazer do grupo algo demasiado
vanguardista, a nova direcção tem como metas a
disponibilização de uma mais diversificada oferta,
até mesmo para os turistas, porque não estão no
grupo para “brincar aos teatros”.
Criticando as agendas culturais actuais do concelho, como os
vários festivais e certames organizados em catadupa, seguindo-se
seis longos meses de “inércia”, Paulo Freitas assumiu que
“é possível que o próprio público esteja
saturado”, pois em seis meses faz-se de tudo e nos outros meses nada.
Ora, é precisamente para tentar colmatar os seis meses de
interregno das actividades municipais que o Alpendre está
apostado. “É mau para uma cidade Património Mundial, que
se quer bastante cultural, não haver, por exemplo, cinema para
ver em certas alturas do ano, como nos meses de Verão”.
Público chamado
à consciência
Para a nova direcção do grupo angrense, outro dos
objectivos a alcançar passa por “chamar o público
à consciência” dos trabalhos do Alpendre.
Outra das preocupações da nova direcção do
Alpendre é a angariação de novos sócios,
cujas regalias estão a ser repensadas. Os sócios
serão convidados a participar de forma mais ou menos directa,
como em jantares temáticos ou na animação pontual
de algum espaço.
Levar o Alpendre para fora de portas é outra aposta. A
participação em festivais, os intercâmbios, o
contacto com outras experiências através da vinda de
grupos de fora ou da deslocação ao exterior são
valorizados por Paulo Freitas.
De 1976 a 2006
Os anos de história
Criado em 1976 e apresentando-se, pela primeira vez, no Teatro
Angrense, a 27 de Setembro do mesmo ano, com “Guerras de Alecrim e
Manjerona”, de António José da Silva (O Judeu), o
Alpendre – Grupo de Teatro transformou-se numa sociedade por quotas, em
Outubro de 1979.
Seis anos depois, o Governo Regional conferiu-lhe o Estatuto de
Instituição de Utilidade Pública.
Entretanto, o Alpendre foi desenvolvendo as suas actividades recorrendo
a dramaturgos de várias épocas, sensibilidades e
países.
Animado para intervir no espaço cultural dos Açores, o
grupo realizou, também, diversos recitais de poesia, recorrendo
à produção poética açoriana e
nacional, essencialmente.
Ao Alpendre coube, ainda, a responsabilidade de montar
espectáculos especiais para a celebração de factos
e figuras de projecção nacional. Assim, o primeiro
centenário de Alexandre Herculano foi comemorado, em Angra do
Heroísmo, sob o titulo “O lobo do Vale”.
O quarto centenário da Batalha da Salga teve
representação cultural com “Uma Hortênsia para
Brianda”, de Álamo Oliveira, texto que voltou à cena por
ocasião da Presidência Aberta de Mário Soares.
Os 450 anos da elevação de Angra a cidade levaram o
Alpendre à montagem de “Sabeis quem é este João?”,
também, de Álamo Oliveira, sendo do mesmo autor “Os
sonhos do Infante” com que o Alpendre lembrou as
celebrações dos Descobrimentos Portugueses, e foi
convidado a integrar a comitiva do Governo Regional na sua visita ao
Brasil (Agosto de 96), tendo apresentado “Os Sonhos do Infante”, nas
cidades do Rio de Janeiro, S. Paulo, Porto Alegre e
Florianópolis.
O Alpendre, tem, ainda, marcado presença em Congressos, Semanas
de Estudo, Encontros de Escritores e outros eventos culturais.
Com a sua quase meia centena de peças encenadas, o Alpendre
marcou a sociedade terceirense com trabalhos como: ”Guerras do Alecrim
e Manjerona”, “Manuel, seis vezes pensei em ti”, “Uma hortênsia
para Brianda”, “Missa Terra Lavrada”, “Quando o Mar galgou a Terra”, “O
Gato”, “As Sabichonas”, entre outras.
fonte
: Jornal A União
Fev 06