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Canonização de João Baptista Machado - Açores merecem reconhecimento

De passagem pela ilha Terceira, a convite da Comissão Diocesana para a Causa da Canonização do Beato João Baptista Machado, o padre João Caniço, vice-postulador da causa, apela à mobilização da população local para reforçar a santidade ao missionário jesuíta terceirense.




foto cortesia "A união"

Reforçar a devoção do povo através da interiorização do modelo de vida do beato João Baptista Machado é apelo que o padre João Caniço, vice-postulador da causa de canonização dos mártires do Japão, deixa às populações locais para reforçar o processo de santificação do missionário jesuíta terceirense que no Oriente perdeu a vida no início do século XVII.
Anteontem à noite, na Igreja do Colégio dos Jesuítas, em Angra do Heroísmo, o padre João Caniço falou no alcance da intenção da canonização do beato uma vez que reflecte a religiosidade da comunidade: “os santos nascem da fé do povo cristão”, disse, reforçando o elevado nível de religiosidade dos açorianos: “só a ilha do Pico, no século XX, deu cinco bispos missionários”.
Referindo-se à causa do Beato João Baptista Machado, o responsável em Portugal pelo encaminhamento da canonização junto do Vaticano é peremptório: “os Açores merecem há muito tempo este reconhecimento”.
Mais do que a provação de um milagre que relance a causa, o que tem faltado, no seu entender, é a devoção do povo: “mais do que a adoração, é preciso que as pessoas tenham no seu coração, no afecto, o que simboliza a vida de beato João Baptista Machado”.
“É preciso que façam dele um modelo de vida, como forma de interceder diante de Deus”, adiantou. Nesse sentido, a juventude é um alvo a sensibilizar: “se olharmos para a história do Beato João Baptista Machado, constatamos que foi um jovem aventureiro, um missionário espiritual, de coração generoso, disposto a morrer pela cristianização”.

Bento XVI
pela Causa

Questionado sobre o andamento que a canonização poderá ter com o sucessor de João Paulo II, o Papa Bento XVI, o vice-postulador disse que “do futuro nada saber”, contudo, acrescentou: “teoricamente, este Papa está de acordo com a acção de João Paulo II– com uma postura favorável–, que vê os Santos como reflexo do Evangelho postos na ordem prática”.
O padre João Caniço vai mais longe e fala mesmo na criação de “opinion makers” para acelerar o processo.
Contudo, os factos pesam igualmente na canonização do mártir terceirense. Nesse sentido, o padre Hélder Fonseca, responsável pela Causa, referiu algumas das iniciativas que demonstram o culto das populações face ao Beato, como a edificação da igreja da Ribeirinha em seu louvor, a existências de várias imagens do Beato em vários templos da Diocese e na diáspora açoriana. O seu nome baptiza uma rua em Angra e na Ribeirinha, estabelecimentos escolares, entre outros.
Além Padroeiro da Diocese de Angra, João Baptista Machado é patrono dos Emigrantes. O monumento, erigido no Largo Prior do Crato é disso também exemplo.
O padre João Caniço relembra a importância da presença portuguesa na pacificação do Japão, através dos missionários, primeiramente, por parte de jesuítas, depois pelos franciscanos e agostinhos, entre 1550 e 1590. Contudo, após esta data, e depois de declarada guerra ao cristianismo, a evangelização encontra sérias dificuldades.
É neste período conturbado que o jovem terceirense parte como missionário para o Oriente, acabando por morrer em serviço, em 1617.
Passados quatro séculos, o Vaticano já procedeu à canonização do primeiro grupo de mártires do Japão (denominado Paulo Miki e Companheiros), do qual constam 50 mártires mortos entre 1590 e 1615, estando ainda por santificar o segundo grupo (Carlos Spinola e Companheiros), que integra 207 nomes desaparecidos entre 1615 e 1632, entre os quais se inclui o beato açoriano.
Este ano, a solenidade do Beato João Baptista Machado é celebrada no dia 23 de Maio, segunda-feira, pelas 18 horas na Igreja da Sé, sendo a eucaristia presidida pelo Bispo de Angra, D. António Sousa Braga.

O mártir terceirense

Nascido em Angra do Heroísmo em 1582, João Baptista Machado, que estuda no continente, é, com apenas 17 anos, admitido na Companhia de Jesus em Coimbra.
Em 1601 parte, com outros missionários, para a Índia, onde foi ordenado sacerdote. É por sua vontade que parte para o Oriente, entrando no Japão em 1609, mesmo quando ordens imperiais determinavam o abandono do território. Passados alguns anos, é preso quando está a confessar um grupo de cristãos, sendo levado para a prisão de Omura, acabando por ser assassinado, por decepamento, a 27 de Maio de 1617, juntamente com outros cerca de 100 mártires de várias congregações.
O processo de beatificação destes mártires do Japão começou em 1867 pelo Papa Pio IX, juntamente com o grupo de 250 mártires vítimas da mesma perseguição, ficando conhecidos como os “Beato Mártires do Japão”.
Desde a data, está pendente o processo de canonização deste e dos restantes beatos.


Humberta Augusto

fonte: A União
Maio 2005

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