Subprefeito sugere que
população crie jibóias para combater ratos
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Ricardo J. Sawaya

SÃO PAULO - A
capital paulista tem hoje cerca de oito ratos por cada habitante, um
número quase três vezes acima do que recomenda a
Organização Mundial de Saúde (OMS), e tal
situação disparou o alarme na Prefeitura de São
Paulo. O problema é tão grave que já há
quem defenda soluções radicais para combatê-lo.
É o caso da sugestão feita nesta sexta-feira pelo
subprefeito da Capela do Socorro, José Augusto da Silva Ramos,
de que os moradores criem jibóias em suas casas.
- Já estou inclusive pedindo uma ao Instituto Butatan para
ensinar as pessoas como acondicionar e criar o animal - afirmou sem
constrangimento algum o subprefeito, para em seguida criar o lema:
"Adote uma jibóia de estimação para comer os
ratos".
As jibóias são cobras que não têm veneno e
podem chegar a ter cinco metros de comprimento. Elas são
predadoras naturais dos ratos.
Ao ser informado que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis(Ibama) proíbe a
criação de cobras em casa, o subprefeito deu uma outra
alternativa, ainda mais esdrúxula: usar ratos de pano para
treinar gatos no combate aos ratos.
O alerta sobre o aumento do número de ratos em São Paulo
foi dado esta semana pela prefeitura. A Vigilância Ambiental da
Secretaria de Saúde faz mensalmente uma blitz em bairros da
periferia da cidade para caçar roedores em córregos,
bueiros e matagais.
No ano passado, foram registrados pela Secretaria de Saúde 274
casos da doença na capital. Quarenta pessoas morreram. Esse ano,
em cinco meses foram 126 casos e nove mortes.
Além de espalhar doenças como a leptospirose, os ratos
também causam problemas à infra-estrutura da cidade. Eles
roem cabos de eletricidade nas ruas e nos subterrâneos do
Metrô, causando curto-circuitos.