Desporto
à noite causa perturbações no sono
Exercício pós-laboral é negativo

O desporto faz bem
à saúde mas não a qualquer hora. Se o
exercício for feito ao final do dia ou à noite
provocará perturbações no sono que,
consequentemente, poderão, depois de se tornar numa
prática rotinada, aumentar as probabilidade de
hipertensão, problemas cardiovasculares, ansiedade,
irritabilidade, fadiga, alucinações, falta de
concentração, obesidade ou diabetes.
Os ginásios com horários pós-laborais estão
na moda, Teresa Paiva, especialista em medicina do sono, alerta que
é "preferível" um adulto não praticar
exercício a fazê-lo depois das 19 horas. A neurologista
classifica de "bárbara" as excessivas actividades
extra-curriculares com que os pais sobrecarregam os filhos. Uma
criança, sublinha, deve "dormir bastante mais do que oito horas
por noite" e nunca fazer exercício depois das 18 horas, sob pena
de se tornar um caso de insucesso escolar, por ter mais dificuldades na
capacidade de raciocínio.
O mesmo se passa em relação à produtividade
laboral. Menos de oito horas de sono por noite aumenta o número
de erros cometidos no dia seguinte no trabalho. Menos descanso, mais
asneiras. Por exemplo, estudos nos EUA revelam que os clínicos
que dormem menos de oito horas por semana cometem mais de 36% dos erros
médicos.
Risco maior que o álcool
Em Portugal não há estatísticas. Teresa Paiva
tentou convencer as forças policiais a contabilizarem o
número de acidentes provocados pelo sono mas "não recebeu
receptividade". Ontem, no Instituto Superior de Psicologia Aplicada, em
Lisboa, frente a uma plateia de estudantes universitários, a
neurologista insistiu nas elevadas taxas de mortalidade de jovens nas
estradas. No ranking europeu, Portugal é o pior na Europa a
"quinze" e o nono pior na UE a "vinte e cinco". A
privação do sono, garante, representa maior risco do que
o álcool. Cerca de 27% dos acidentes são provocados por
sonolência e esta percentagem é responsável por 83%
das mortes na estrada.
"De madrugada não se deve, de facto, conduzir", insistiu,
alertando que às 4 da manhã o cérebro tem o
mínimo de capacidade de execução e que essa hora
é por isso "fatal". Foi-o para o "Dino" dos "Morangos com
Açúcar", assim como em Chernobil, afirmou, alertando que
a privação de sono mata mais depressa do que a falta de
comida. Teresa Paiva vai lançar um livro, no início de
2007, sobre perturbações no sono. Alexandra Inácio
fonte: Jornal
de
Notícias
foto: sleeping-angels.com
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