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Tese de Mestrado alerta para risco de derrocada nas fajãs de São Jorge

Regional
Hélder Soares
27/01/2006 12:01:12 

As fajãs de São Jorge estão em risco, alerta uma tese de Mestrado em Gestão e Conservação da Natureza daFajãs Universidade dos Açores, apresentada recentemente, que aponta para a necessidade de implementação da cartografia da ilha, a par de medidas de estabilização de taludes.

“Riscos Geológicos Inerentes às Fajãs da Ilha de São Jorge, tese de Mestrado de Aida de Fátima Brasil Vieira, baseou-se no estudo dos movimentos de massa e da estabilidade de taludes, na perspectiva de monitorização de possíveis zonas de instabilidade nas Fajãs dos Cubres, no lado norte da ilha, e na Fajã de São João, no aspecto sul.

Segundo a autora, o deslizamento de terras nesta zona é um risco, visto que as Fajãs, pelo facto de estarem na base de enormes arribas, estão de constante risco geológico
“Neste momento, talvez esteja em risco o acesso à Fajã de São João, onde se pode verificar várias fendas, que podem indiciar alguma instabilidade”, diz Aida Vieira, destacando que a chuva, a inclinação dos terrenos e o abandono das técnicas de manutenção dos acessos podem oferecer perigo às Fajãs.

No entanto, acrescenta que os movimentos de massa, para além de serem um fenómeno natural de evolução de uma vertente, são muitas vezes resultado da conjugação de diversos factores, nomeadamente tectónicos, precipitação, coberto vegetal, inclinação da vertente, tipo de materiais e acções antropogénicas.
A este respeito, investigadora afirma que o uso do solo e o coberto vegetal são factores condicionantes de possíveis movimentos de massa. Na realidade, destaca Aida Vieira, a transformação em pastagens, dos terrenos que marginalizam os topos dos taludes, controla a maior ou menor concentração das águas superficiais e potencia a ocorrência de movimentos de massa.
“Tal facto implica a necessidade de criação de canais de escoamento, desviados da área de influência das fajãs, contrariando assim, a tendência de movimentação de solos incoerentes e saturados em água”, afirma a investigadora.

Apesar de tudo, adianta o estudo, o grau de perigo só poderá ser definido após uma observação atenta, algo que não existe actualmente.
Aida Vieira assevera, ainda, que a caracterização sócio-económica destes locais permitiu identificar o sentimento de posse e de protecção que os jorgenses têm pelas suas fajãs, uma vez que não deixam de as procurar, mesmo estando conscientes dos riscos naturais que tais locais encerram. Contudo, a autora do estudo aconselha, nas considerações finais, que “os jorgenses deverão desenvolver estratégias que minimizem as perturbações que tais movimentos de massa originem no seu dia-a-dia”.
Para Aida Vieira, a prevenção para este tipo de fenómenos passa pela monitorização dos taludes sobranceiros às fajãs, sobretudo dos mais instáveis, e pela implementação de uma cartografia geológica de detalhe da ilha, actualmente inexistente.

A identificação de todos os taludes com uma inclinação superior a 40-45º de inclinação e a implementação de medidas de estabilização, como a plantação de vegetação endémica, e a construção de socalcos agrícolas, são outras recomendações do estudo.
A tese “Riscos Geológicos Inerentes às Fajãs da Ilha de São Jorge foi orientada pela Professora Zilda França e pelo Professor João Carlos Nunes, ambos docentes do Departamento de Geociências da Universidade dos Açores.


Jan  2006
fonte:  Diário dos Açores