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São na maioria açorianos os 400 imigrantes expulsos no ano passado do Canadá e deverão ser muitas centenas o número de açorianos que enfrenta o risco da expulsão, entre os cerca de 10 mil imigrantes portugueses em situação ilegal no Canadá.

Isto porque, denuncia o jornal "Público", em apenas três anos o número de expulsões de portugueses ilegais no Canadá aumentou 400 por cento, devido aos maus resultados de uma estratégia errada por parte de muitos imigrantes, que tentaram pela via do asilo político regularizar a sua situação no Canadá.



torontoHoje em dia, Portugal não é um país sem liberdade política ou em situação de guerra, pelo que a hipótese de um português conseguir o estatuto de refugiado político no Canadá é ínfima.

Contudo, enquanto o processo corre e devido à muita imigração de todo o mundo para o Canadá, o imigrante ilegal pode ganhar cerca de três anos de situação legal, pois fica automaticamente autorizado durante o período de espera de um pedido de asilo político a residir e a trabalhar no Canadá.

Segundo o jornal "Público", este foi um logro em que caíram muitos imigrantes portugueses, alguns impulsionados por advogados com poucos escrúpulos, na tentativa de resolver a sua situação por via de uma qualquer amnistia na sequência, por exemplo, de uma visita do Papa ou da Rainha de Inglaterra, que ainda é o chefe de Estado do Canadá.

Mas o mais certo para esses pedidos de asilo é a recusa e a consequente expulsão do Canadá. E agora, só mesmo a postura mais aberta do novo ministro responsável pela política de imigração do Canadá quanto à regularização dos ilegais, sobretudo dos que já têm família no país, pode salvar a situação difícil em que se encontram muitos ilegais. E também a posição a assumir pelo Parlamento canadiano, que tem uma comissão constituída para tratar desse assunto, da qual faz parte o deputado luso-canadiano, Mário Silva, pode dar uma ajuda aos ilegais. Fora isso, a esperança já é pouca para muitos dos que tentaram pela via mais difícil a concretização do "sonho canadiano".

A denúncia desta situação foi feita ao jornal "Público" por Emídio Domingos, Cônsul de Portugal em Toronto, província de Ontario, onde residem cerca de 200 mil portugueses. Destes, 80 por cento são açorianos.

Contactado pelo Açoriano Oriental, Emídio Domingos aceitou explicar o esquema a que muitos portugueses têm recorrido, na sua maioria açorianos: "os imigrantes estão a enveredar pelo caminho errado de pedir asilo político no Canadá, mas não se justifica hoje em dia que haja portugueses a pedir asilo político no estrangeiro", começou por afirmar.

Emídio Domingos não tem mesmo dúvidas em admitir que este se trata de um "expediente" já conhecido dos conselhos de imigração canadianos. "É somente o facto dos serviços de imigração estarem bastante engarrafados, que faz com que a análise de cada pedido leve mais ou menos três anos a três anos e meio, até vir uma resposta negativa.

Durante esse tempo, é dada autorização de residência e de trabalho. Depois de sair a decisão, o imigrante apela e anda com advogados durante mais cerca de três anos para, mais ou menos ao fim de sete, quando as pessoas até já têm os filhos na escola e estão instalados com as suas mulheres, acabarem por se ir embora", conclui o Cônsul português em Toronto.

A imigração ilegal portuguesa para o Canadá começa com um simples visto de turista, que dura até seis meses e uma promessa de trabalho, normalmente assegurada entre a rede de imigrantes portugueses já radicados naquele país.

A construção civil, o muito comércio português existente, por exemplo, na área de Toronto ou até as empresas de limpeza aceitam muitos desses imigrantes ilegais. A via legal da emigração para o Canadá é muitas vezes evitada, porque, admite o Cônsul, "as leis da imigração canadiana têm uma série de parâmetros tão condicionantes, que dificilmente os portugueses passam nesse crivo".


 
 
Rui Jorge Cabral/AO/aU


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