O especulador
Joe Berardo, que caíu no
goto da nossa errática imprensa, resolveu ser generoso - mas com
o nosso dinheiro de esforçados contribuintes. Agora que lhe
pagamos a colecção, que a instalámos num local
óptimo (onde poderíamos ter exposições bem
mais variadas e interessantes), e que nos propomos comprar-lhe os
quadros por uma fortuna (como se fossem vendidos um a um, e não
por atacado) - se ele próprio entretanto não concluir que
se valorizaram ainda mais -, desata a oferecer visitas de borla.
Porque é que não as ofereceu quando não
éramos nós a pagar? E porque é que não
passa a gratuitas as entradas no seu museu da Madeira?
Alguém imagina Berardo a fazer investimentos que criem riqueza e
postos de trabalho, realmente reprodutivos? Porque temos de aturar e
pagar o exibicionismo deste especulador? Porque não se limita a
fazer sossegadamente os seus negócios, sem nos incomodar?
Porque a nossa imprensa é mesmo à medida de figuras como
ele. E o nosso primeiro-ministro é um provinciano (na
conotação negativa da palavra) sem formação
humanista, e julga que a Cultura é como certos cursos da
Independente.
Pedro d'Anunciação
in
SOL , 7.Julho.2007
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