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MADONNA:
MADONNA EM LISBOA 
Às portas do Pavilhão Atlântico nunca se viu nada assim. Até da Austrália vieram para ouvir Madonna.

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MADONNA EM LISBOA 
Às portas do Atlântico nunca se viu nada assim
 
 
Milhares de fãs acamparam à porta do Pavilhão Atlântico à espera da hora para ver Madonna


Nunca se viu nada assim na história dos concertos em Portugal. Muitas horas antes da abertura das portas do pavilhão Atlântico, já milhares de pessoas aguardavam (im)pacientemente o momento de entrada no recinto. As filas abundavam em todos os quadrantes do pavilhão e estendiam-se por centenas de metros - muitos esperavam sentados em cima de sacos -cama estendidos no chão.

E há espíritos para tudo: como um dos que ocupava o primeiro lugar de umas das filas - posição privilegiada conseguida à custa de três noites ao relento no mesmo metro quadrado de chão duro (e frio). Pormenor ainda mais impressionante: o mesmo indivíduo veio da Austrália. De onde? Sim, da Austrália - do outro lado do Planeta, portanto. "Vê? Esta é a minha cidade", afirmou o australiano, enquanto exibia um álbum de fotos com prédios , cangurus, koalas e, claro, as paredes do seu quarto devidamente forradas com fotografias da estrela. Mas ainda há mais. Atente-se: "Este é o meu carro; repare na matrícula". E o que se lia na matrícula? Sete letras: "Madonna". Descendente de pais portugueses, o australiano, de seu nome Israel Henriques, estava eufórico com o aproximar da hora do seu 11º concerto da Madonna. Já viajou pelo Canadá e pelo resto da Europa seguindo o rasto da cantora de "Like a Virgin".

Mas o rapaz do país dos cangurus é apenas um entre muitos exemplos de estrangeiros que vieram a Portugal com o único propósito de assistir ao concerto. Nas longas filas do Parque das Nações ouviam-se várias línguas e detectava-se um extenso rol de bandeiras de países tão diversos como a Colômbia, a África do Sul, a Suécia ou a Rússia. Muitos pintavam, à última da hora, cartolinas brancas com corações e mensagens de carinho. Havia quem tentasse dormir uma sesta. Aparentemente ninguém fumava ganza.

O ambiente, aparentemente sereno, destilava um nervosismo crescente com o passar das horas. Havia quem tentasse a sorte de obter um ingresso no mercado negro. No público, de vários escalões etários, vislumbrava-se algum glamour e muita androginia. Grande parte dos rapazes vestiam t-shirts de licra coladas ao corpo e com sugestivas mensagens. Exemplos: "I wanna feel your body"; Madonna for president 2004"; "Italians do it better"; um directo "Fuck me!" ou ainda um esclarecedor: "I am not lesbian, I am gay".

Hoje, Madonna dá o seu último concerto da digressão. O ambiente em redor do espectáculo, que também já está esgotado, não deve ser muito diferente daquele que ontem se vivia dentro e fora do pavilhão: mais de 15 mil pessoas em delírio e algumas centenas cá fora, em desespero, à procura de um ingresso que eventualmente pudesse surgir do céu, qual presente de um deus generoso e altruísta.

Israel Henriques, o australiano, já tem bilhete. E, disse ele, mal acabasse o concerto de ontem, o seu destino era apenas um: regressar à entrada e ali ficar, faça chuva ou faça sol, a dormir ao relento... 
 
10 de Set 2004
cortesia  Jornal de Notícias
 


 

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