Polémica - Margarida Marante violada
e chantageada
Meses de
pesadelo ao lado de criminoso

Margarida Marante
vive momentos dramáticos depois de ter sido raptada e violentada
por Francisco Farinha Simões. A jornalista continua a sentir-se
insegura na sua casa e, ontem, decidiu revelar toda a história.
Ao CM, Marante explica que optou por tornar o caso público
devido às chantagens de que foi alvo por parte do criminoso.
A 14 de Janeiro, após vários telefonemas
intimidatórios, Farinha Simões invadiu o apartamento de
Margarida Marante e, sob ameaça de uma faca de cozinha,
arrastou-a para o interior de um Rover preto. Dentro do carro, foi
agredida a estalos, socos e com o cabo da referida arma branca. Acabou
num pinhal, mas Farinha Simões optou por nada fazer.
O regresso a Lisboa foi feito debaixo de constantes exigências do
raptor, que a forçava a repetir que embarcara naquela viagem de
livre vontade. Este foi apenas o culminar de longos meses de terror
físico e psicológico, nos quais Marante chegou a ver uma
arma de fogo introduzida no seu sexo.
O semanário ‘O Crime’ surgiu ontem nas bancas com as
revelações do caso. Factos que Margarida Marante
confirmou ao CM, justificando a opção com as
ameaças de que foi alvo de Farinha Simões. Chantagens que
estarão “gravadas e constam dos autos policiais”.
De acordo com a jornalista, Farinha Simões ameaçou
divulgar informação falsa que poderia incriminar amigos
mais próximos, alguns deles com bastante influência na
sociedade portuguesa. As ameaças iam do fornecimento de droga, a
suspeitas sobre a sexualidade dos envolvidos.
Na sequência das ameaças, Margarida Marante refere ter
sido contactada por José Leite que, por sua vez, confirmou o
contacto de Farinha Simões. “Se não nos vender a
história, venderá a outros”, terá dito o
jornalista de ‘O Crime’. José Leite negou ter oferecido os 23
mil contos mencionados pelo criminoso e convidou Marante a contar a sua
versão da história. Marante aceitou e, pelos seus amigos,
ofereceu “o corpo às balas”.
Margarida Marante não esquece a actuação da
polícia e promete “fazer uma queixa formal contra o
Comissário”. “Ele não fez nada”, acusa. A jornalista
até defende os “bons homens que para ele trabalham”, mas revela
que “muitas das pressões sofridas ficaram a dever-se à
inacção do Comissário” da 21.ª Esquadra da
PSP de Campolide.
Farinha Simões encontra-se preso por violação da
liberdade condicional. Foi detido na noite de 28 de Janeiro, quando
tentava escapar no seu carro, após embater nas viaturas
policiais que barricavam as saída das rua.
COMO ELES SE CONHECERAM
Margarida Marante conhecia o nome de Francisco Farinha Simões
pelo seu alegado envolvimento no caso Camarate. Mas foi quando
Emídio Rangel – director-geral da SIC e seu marido nessa
época – se decidiu a fazer um documentário sobre o caso
que a jornalista o conheceu directamente.
Defensor da tese do atentado, o então detido em Pinheiro de Cruz
aproveitava as saídas precárias para filmar entrevistas
que decorriam ao longo das madrugadas de sexta-feira e sábado,
sob a realização de Manuel Tomás. Mais tarde,
Farinha Simões deixou o estabelecimento prisional em liberdade
condicional e tornou-se o melhor amigo de Emídio Rangel.
Após a hospitalização de Rangel por doença
grave, as pessoas começaram a afastar-se dele. Foi aí que
se iniciou a aproximação de Farinha Simões a
Margarida Marante e sua família – a jornalista tem três
filhos do seu anterior casamento com o empresário Henrique
Granadeiro.
"OBSESSÃO COMPULSIVA
Fragilizada pela separação de Emídio Rangel –
“sentia-me como um pintainho”, diz a jornalista –, Margarida Marante
aceitou uma proposta de Farinha Simões e este tornou-se seu
segurança. “Na minha casa só viviam mulheres e
crianças”, explica. Mas com o passar do tempo, Simões
tornou-se “menos cerimonioso”.
Os dois chegaram a envolver-se intimamente até que Marante
decidiu cortar essa ligação. Mas, apesar das constantes
rejeições, Simões insistiu. “Ele tem uma
obsessão compulsiva por mim”, afirma Marante. Foi nessa altura
que Simões começou a entrar em sua casa ilegalmente,
situação que se arrastou “durante oito meses”.
VIDA DE CRIME ENTRE FAMOSOS
A detenção de Fernando Farinha Simões, a 28 de
Janeiro, é só o capítulo mais recente de uma vida
recheada de encontros e desencontros com a Justiça e que se
cruza com a vida de muita gente famosa. O homem que Margarida Marante
acusa – e que está detido preventivamente por
coacção, sequestro e ameaça – já trabalhou
como motorista de Sousa Cintra e foi uma das principais testemunhas
ouvidas na Comissão Parlamentar que investigou a morte de
Sá Carneiro em Camarate.
Pelo meio, o seu nome surgiu várias vezes ligado ao mundo da
droga, apontado como colaborador da Polícia Judiciária
que, mais tarde, acabou por prendê-lo precisamente por
tráfico. Apesar de ligado desde sempre ao submundo de Lisboa,
foi na Assembleia da República que Fernando Simões saltou
para a ribalta, defendendo a tese de atentado em Camarate. Cumpria pena
por tráfico de droga e ia depor ao Parlamento. Acusou
José Esteves de fabricar a bomba que destruiu o avião de
Sá Carneiro e é defendido por Ricardo Sá
Fernandes, que publicou há pouco tempo um livro sobre Camarate.
O PERCURSO
1976 - Entra para o semanário 'Tempo'
1977 - Passa pela revista ' Opção'
1978 - É escolhida para integrar a área de
informação da recém-criada RTP 2
1979 - Transfere-se para o sector de Informação da RTP 1
1983 - Muda-se para os EUA, onde realiza uma
especialização em Jornalismo, regressando a Portugal em
1985
1989 - Dirige a revista 'Elle', cargo que ocupa durante dois anos
1991 - Primeira entrada na TSF
1991 - torna-se colaboradora do semanário 'Expresso'
1992 - Francisco Pinto Blasemão convida-a para entra na SIC
1992 - Apresenta 'Sete à Sexta' e 'Contra-Corrente'
1995 - Estreia 'Crossfire', programa que manteve até 1998
1996 - Começa 'Esta Semana' que dura até 2001
2003 - Regressa à TSF
fonte
: Correio da Manhã
foto: Correio da Manhã
12.02.06