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Mulheres da raia alentejana preferem ter
bebés em Espanha
Anualmente,
nascem em Badajoz cerca de uma centena de crianças portuguesas
roberto
dores
évora
São cada vez mais as mulheres portuguesas que optam por ir dar
à luz em Espanha. Só em Badajoz, nascem anualmente cerca
de cem bebés, segundo a estimativa avançada ao DN pelos
representantes de saúde de ambos os lados da raia.
O número de crianças lusas registadas com naturalidade
espanhola já se aproxima da metade dos partos realizados no
Hospital de Elvas (265 em 2004), cuja maternidade estará no topo
das seis que o Ministério da Saúde tenciona encerrar, em
todo o país, por alegada falta de recursos (ver caixa).
Mas o que leva, afinal, tantas mães portuguesas a cruzarem a
fronteira, rumo a duas clínicas privadas (Clideba e Naranjos) e
a um hospital público (Materno-Infantil) de Badajoz, para dar
à luz? A resposta dada por quem já viveu esta
experiência é idêntica a garantia de usufruir de
melhores condições do que em qualquer outro hospital
próximo da raia. Quase todas usam um estratagema: dizem que se
estão a sentir mal quando optam pelo hospital público, ou
fazem antecipadamente um seguro de saúde para recorrerem
às clínicas privadas.
Alexandra Canhão usufruiu do facto de o marido trabalhar em
Espanha para ter acesso à maternidade pública, mas
assegura que "iria sempre" ter o filho a Badajoz, já que
vê "enormes diferenças" entre os recursos de Elvas e
aqueles que são proporcionados pela cidade espanhola.
"Eu tinha 34 anos e ficava muito mais descansada tendo a criança
em Espanha, onde há de tudo. Em Elvas, caso houvesse algum
problema, teria de ser transferida para Portalegre, como acontece
muitas vezes a outras mães. No Materno- -Infantil têm
médicos pediatras com especialidades e isso, em termos
psicológicos, também é importante", refere esta
mãe. Lembrando que o parto correu bem e que ficou internada num
quarto particular, com visitas até às 23.00, com direito
a companhia familiar durante a noite. Um privilégio
impossível de conseguir em Elvas, onde não há
quartos particulares para as mães.
Foi a pensar em tudo isto que Paulo Centeno, residente em Alandroal, se
apressou a fazer um segu-ro de saúde em Espanha, que, entre
outras valências, engloba partos nas clínicas privadas. Os
seus dois filhos nasceram na Clideba, fican-do Telma Centeno, a mulher,
num quarto "que mais parecia um ho- tel de cinco estrelas". "Até
eu lá dormi e comi durante quatro noites, porque eles
proporcionam um ambiente fantástico", recorda Paulo Centeno.
Os amigos e familiares deste casal que optaram por ter os filhos em
Elvas ou Évora "não tiveram nem metade das regalias",
diz. Por isso, alguns já optaram por aderir ao mesmo seguro de
saúde, que, de resto, até pode ser feito em
território nacional, como explicou ao DN um administrador do
hospital elvense, avançando que já existem representantes
portugueses que tratam desse processo.
A mesma fonte admite mesmo que o fenómeno tende a aumentar
"entre a classe média", até porque, para além dos
partos, este seguro concede apoio pediátrico durante os
primeiros dois anos da criança.
Contactado pelo DN, o obstetra Carlos Aguilera, que trabalha numa das
clínicas de Badajoz, admite que as portuguesas procuram cada vez
mais os seus serviços, estimando que entre 2001 e 2005 o
número de parturientes nacionais tenha aumentado mais de 30% no
seu consultório. "Sobretudo quem teve casos que não
correram bem em Portugal tende a vir para cá. E nós
recebemos as pessoas de braços abertos", conclui.
fonte: Diário de
Notícias
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