Na zona balnear do Negrito - Peixe raro deu
à costa
Não
é raro nos mares dos Açores, mas é uma
espécie rara de ser avistada pelo homem nas águas das
ilhas. Falamos de um peixe de espécie “Mola mola” que arrojou,
no passado dia 31 de Julho, na costa marítima junto à
zona balnear do Negrito, em Angra do Heroísmo.
(foto:
Jornal "A União")

Descoberto por um pescador amador, esta espécie
rara de ser avistada pelos homens nos mares das ilhas, apesar de
relativamente abundante, apresentava sinais de ter sido capturada por
mão humana, segundo o relatório do exame
anatomopatológico (vulgo autópsia) realizado pelo
professor João de Ávila Barcelos, docente do Departamento
de Ciências Agrárias da Universidade dos Açores, na
Terra-Chã.
Quando foi encontrado este “Mola mola”, com 201 centímetros de
comprimento e 106 centímetros de altura, encontrava-se com mais
de metade do corpo fora de água, nomeadamente a boca, pelo que a
falta de circulação de água do mar pelas guelras
do animal, no intervalo de tempo precedente à sua descoberta,
levou à sua morte por asfixia.
Todavia, o professor João Barcelos encontra vários
motivos, na autópsia realizada ao animal, para que o mesmo tenha
dado à costa, respectivamente “a perda da barbatana-dorsal, que
poderia ser factor desencadeador” de tal sucedido.
“Os bordos regulares e de perfil liso da ferida, resultando no
decepamento total da barbatana-dorsal, indicariam o uso de um objecto
cortante, afiado, e usado com mestria, como por exemplo,
hipoteticamente a faca bem afiada de um pescador, que se
desembaraçaria com relativa rapidez do animal, possivelmente por
este ter sido encontrado enriçado pela barbatana-dorsal num
aparelho de pesca e assim em risco de captura acidental”, lê-se
no relatório do exame anatomopatológico realizado.
Ainda segundo o docente do pólo terceirense do único
estabelecimento de ensino superior dos Açores, “o período
de sobrevivência do animal, com grave privação
alimentar, parece ter sido de algumas semanas, provavelmente sobretudo
à custa das reservas energéticas do organismo”. Isto
é o peixe “Mola mola” esteve várias semanas sem comer, o
que levou, igualmente, às causas da sua morte.
Em conclusão, na autópsia realizada pelo professor
João Barcelos, lê-se que “o animal cada vez mais fraco e,
por isso, cada vez menos eficaz na aquisição alimentar,
acaba por atingir um grau de debilidade extremo por fome,
inanição, anemia e, por último,
intoxicação metabólica, até ao seu
arrojamento com consequência mortal”.
Em jeito de síntese da autópsia realizada à
espécie, o docente João Barcelos concluiu que o animal
terá sido, hipoteticamente, apanhado por redes de pesca, sendo
depois cortada a barbatana-dorsal do mesmo para que este não
ficasse preso às redes, o que aconteceu acidentalmente, mas
levou ao enfraquecer do peixe que acabou por dar à costa e
morrer por falta de circulação de água do mar nas
guelras e consequente falta de alimentação do “Mola
mola”.