mistério.
Não pronunciou uma
palavra e tem identidade desconhecida
Sem documentos e com as etiquetas da roupa arrancadas, o
jovem pianista vestia um fato amarrotado e encharcado. De olhar ausente
e expressão deprimida, foi encontrado, há mais de um
mês, pela polícia britânica a vaguear à
beira-mar na cidade portuária de Kent. Desde então,
não disse uma palavra e a sua identidade permanece totalmente
desconhecida. Apenas uma coisa se sabe é um músico
talentoso e, quando se senta ao piano, a sua inquietação
desvanece-se.
A história do jovem pianista, que sofre de amnésia,
está a apaixonar a imprensa internacional que já o
apelidou de Piano Man e está a colaborar activamente
nas tentativas para a sua identificação. Magro, com um
metro e oitenta, olhos e cabelos claros, aparenta ter entre 20 e 30
anos e não pronunciou uma palavra desde que foi encontrado. A
sua fotografia já foi divulgada na comunicação
social pelos serviços sociais do hospital psiquiátrico
onde se encontra. Uma linha telefónica também foi montada
para receber informações que permitam desvendar a origem
deste homem já transformado num "ilustre desconhecido". Mais de
300 telefonemas inundaram a linha, mas as investigações
permanecem no mesmo beco sem saída.
Corria o dia 7 de Abril quando a polícia britânica se
deparou com um homem a vaguear no pequeno porto de Sheerness, na ilha
de Sheppey, no sudoeste de Inglaterra. O Piano Man deambulava
sem destino, com um ar assustado, trazia uma fato escuro vestido,
amarrotado e encharcado. Não tinha documentos identificativos e
carregava uma bolsa com pautas de música, da qual insiste em
não se separar. Às questões das autoridades
respondeu com o silêncio, acto que acabou por ditar o seu destino
o Hospital Marítimo Medway.
A surpresa chegou quando uma enfermeira lhe colocou na mão um
lápis e um papel e viu surgir um piano de cauda,
pormenorizadamente desenhado. O jovem foi conduzido à capela do
hospital onde existia um piano e, perante o espanto de todos, tocou
durante duas horas. Confrontados com o espectacular concerto, os
médicos concluíram tratar-se de um músico
talentoso, que chegou a interpretar "O lago dos cisnes". No entanto, os
que o ouviram acreditam que a maioria das músicas tocadas
são produções próprias.
O talento musical do jovem enigmático foi a pista seguida pelas
autoridades que lançaram um apelo às orquestras europeias
com a esperança de nelas encontrar uma ajuda na
identificação. Intérpretes de polaco, letão
e lituano também foram ao encontro do Piano Man, mas foi
mais um esforço se mostrou infrutífero.
Os técnicos hospitalares descrevem a sua fragilidade mental, mas
asseguram que está bem fisicamente e não aparenta sinais
de maus tratos. Ana Romero, assistente social, descreve o jovem como
alguém sensível e extremamente vulnerável, que
fica agitado quando está na presença de alguém que
não conhece. A timidez é tão grande que chega a
sentar-se no chão, em posição fetal, ou a
refugiar-se num canto.
Curiosamente, toda a perturbação se dissipa quando se
apodera do piano, o que leva os técnicos a acreditar que se
trata de um músico deprimido, vítima de qualquer trauma
profundo.
* Com Agências
fonte: Diário de
Notícias
18
Maio 2005
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