“Amor da
Pátria” na Horta - “Sociedade” repleta de história e de
simbolismo
A cidade da Horta caracteriza-se pela imponência de
edifícios seculares que marcam a sua arquitectura. Um desses
edifícios, situado na Rua D. Pedro IV, reflecte a altivez da
arquitectura do século XIX, que revela traços de “Art
Deco”, e deixa muitos dos visitantes da cidade com curiosidade de
conhecer mais acerca desta “Sociedade”.
» Carla Dias/AO/aU

A cidade da Horta
caracteriza-se pela imponência de edifícios seculares que
marcam a sua arquitectura. Um desses edifícios, situado na Rua
D. Pedro IV, reflecte a altivez da arquitectura do século XIX,
que revela traços de “Art Deco”, e deixa muitos dos visitantes
da cidade com curiosidade de conhecer mais acerca desta “Sociedade”.
Diante do edifício, a escadaria, o pormenor das barras com
hortênsias e as colunas acima da heráldica da
República e da cidade da Horta são os traços mais
relevantes desta “Sociedade” que marcou uma época.
Subindo a escadaria principal surge um “Salvé”
maçónico, que lembra as raízes da “loja” onde era
praticado o rito maçónico do Grande Oriente Lusitano. Ao
entrar pelas grande portas de madeira, a imponência do exterior
transporta-se para dentro daquele edifício secular classificado
como Imóvel de Interesse Público. No átrio,
móveis antigos e portas enriquecidas com motivos “Art dDeco” que
caracterizam toda aquela casa. Tectos altos e trabalhados a gesso e
ricos candelabros decoram o extenso corredor.
A visita guiada é conduzida pelo vice-presidente da Sociedade,
Luís Branco, que nos apresenta o Jardim de Inverno, situado a
meio caminho no corredor, local de convívio para os muitos
associados. Ao fundo, surge uma pequena biblioteca onde um grande
armário denuncia encadernações do “The Illustrated
London Magazine”, do século XIX. Verdadeiras raridades levadas
pelos ingleses que, durante as suas passagens pela cidade, quando o mau
tempo não permitia seguir viagem marítima, frequentavam
aquela Sociedade.
É altura de conhecer o salão principal da Sociedade,
local dos tradicionais e bastante concorridos bailes de Carnaval.
Luís Branco conta os tradicionais bailes de gala, que se
realizam no sábado de carnaval, bem como as tradicionais noites
de segunda -feira, quando grupos de homens e mulheres se mascaravam com
o mesmo tema e entravam pela Sociedade, animando os bailes de Carnaval,
reservados exclusivamente aos associados.
Aquele espaço, rodeado por altas vidraças, que com uma
tira azul ziguezagueante faz lembrar o mar que rodeia o
arquipélago, é também palco dos tradicionais
bailes de aniversário da Sociedade, que se realizam em Novembro.
A grande sala, bastante iluminada, apenas ostenta nas paredes um
secular e enorme espelho, assim como um rendilhado candelabro piramidal
que alegra a sala.
Atravessando o átrio da entrada, a visita continua pelo lado
esquerdo do edifício. É ali que se situa uma pequena
sala, onde se realizam vários encontros e eventos,
contígua a uma pequena sala de jogos, destinada, diz Luís
Branco, aos mais novos. Ao fundo do corredor fica uma outra sala de
jogo, mas para os mais crescidos. Ao lado, um escritório com
mobiliário antigo e igualmente antipeças de jogo, onde a
direcção se reúne e onde uma das paredes ostenta a
Ordem de Mérito -Membro Honorário, com que o Presidente
da República agraciou em 2001 a Sociedade.
No edifício, com assinatura do arquitecto Manuel Joaquim Norte
Júnior, um maçon que na altura era dos galardoados com o
Prémio Valmor, o maior galardão nacional de arquitectura,
teve lugar o acto inaugural da I Legislatura do Governo Regional, a 4
de Setembro de 1976, que contou com a presença do Presidente da
República, General Ramalho Eanes, e do primeiro-ministro,
Mário Soares.
Foi também neste edifício, onde funcionou durante largos
anos a Assembleia Regional dos Açores, que foram apresentados,
com algum conflito à mistura, o Hino dos Açores - na
altura em cassete e sem partituras - e os actuais símbolos
heráldicos da Região.

Uma sociedade
repleta de história, fundada a 28 de Novembro de 1859, onde a
“loja” maçónica “Amor da Pátria” funcionava em
paralelo com o inicial clube recreativo. Depressa a Sociedade alargou
os seus interesses para obras de carácter cultural,
económico e social, como foi o caso da inauguração
de uma escola primária nocturna na Horta, mais tarde outra na
freguesia dos Flamengos e, em 1862, a constituição da
“Caixa Económica Faialense”, para subsidiar as obras de
beneficência da Sociedade.
A sede da Sociedade funcionou num solar onde residia o Morgado Terra,
localizado a Norte do actual edifício, e onde, em Agosto de
1930, deflagrou um violento incêndio que destruíu o
segundo andar, ocupado pela Sociedade e pela Loja
Maçónica, salvando-se apenas o andar onde existia a
instituição de crédito e duas salas de jogo.
Após o incêndio, foi deliberado que se construisse um
edifício de raíz, no mesmo local onde o prédio se
apresentava em ruínas. Dando resposta à
intenção de contratar o melhor arquitecto do país,
foi escolhido o arquitecto Norte Júnior, que visitou a cidade da
Horta em 1931, tenso assistido ao lançamento da primeira pedra
em Agosto desse mesmo ano. O edifício demorou três anos a
ser construído, e foi inaugurado a 30 de Junho de 1934.
Como a história da “Sociedade Amor da Pátria” permanece
indissociável da história dos Açores, a actual
direcção prepara-se para editar, por ocasião do
150º aniversário, um livro, essencialmente de fotografias e
de histórias, para que a memória deste edifício
que se destaca da malha urbana da Horta se perpetue para as
gerações vindouras.
texto, fonte: A União
fotos: emportopim.blogspot.com
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