|
Realizou-se
nos passados dias 9, 10 e 11 de Junho mais um concurso AngraRock, desta
vez com 7 participações da Terceira e 3 de S. Miguel a
mostrarem muita qualidade e imaginação. O espaço
foi mais uma vez o Centro Cultural de Angra do Heroísmo, que
apesar de não ser o mais indicado para eventos Rock, ainda assim
começa a habituar os amantes do género, nesta altura do
ano e neste evento, à sua participação na festa.
Somente dois pontos negativos tenho a apontar ao concurso deste ano: o
primeiro vai de encontro aos responsáveis do som, que
demonstraram uma invariável ausência no
espectáculo. Por variadas vezes aconteceram acidentes no palco,
durante a actuação das bandas, como suportes de bateria
que caíram, microfones que começavam a decair lentamente
e os elementos de palco deveriam estar distraídos porque de umas
vezes foram elementos de outras bandas que saíram das suas
cadeiras e foram lá resolver a situação e de
outras foi preciso ir lá puxar pelos braços dos senhores
para alertá-los do que se estava a passar. O vocalista dos
VelvetStone, durante a sua actuação, chegou ao
cúmulo de se ajoelhar para poder chegar ao microfone, que
caía, sem que ninguém com a responsabilidade devida fosse
lá resolver o assunto. Isto prejudica as bandas e não
favorece a produção de um evento destes. O segundo ponto
vai para a situação, a qual eu desconhecia, relativamente
aos conjuntos que vem de fora da ilha e que não tem o
mínimo apoio ao chegarem cá. Já sabia que as
deslocações eram suportadas pelos conjuntos, o que
não sabia era que ao chegarem à ilha não tinham
nenhum apoio, nem em transporte, ou no mínimo
recepção, e em estadia e orientação. Ou
seja, os conjuntos deste ano chegaram ao aeroporto das Lajes sem
conhecerem nada da nossa ilha nem ninguém e tiveram que se meter
em táxis, com destino meio à sorte e andaram por Angra
também meio à sorte à procura de um sítio
para ficarem. Será esta a imagem que queremos dar? É
assim que se quer incentivar projectos de outras ilhas a participarem?
Julgo que um evento como o AngraRock, que tem um orçamento a
rondar os 100.000 Euros, poderia no mínimo dar apoio à
chegada dos conjuntos, no seu transporte e orientação na
ilha. Repito, no mínimo!!!
De resto e como vem sendo hábito, o concurso primou pela boa
organização e pelo empenho para que tudo corresse pelo
melhor.
O júri deste ano foi presidido por Luís Varatojo,
baterista dos Pólo Norte e constituído por Timothy Lima,
Bruno Moniz e Kit, todos músicos e por Vanda Mendonça,
Jornalista. Ao fim da segunda eliminatória escolheram os cinco
finalistas que foram 4Saken, VelvetStone, Stampkase, Psy Enemy, e
Penumbra. Destes cinco, deliberou o júri que em 3º lugar
ficaria os Penumbra, em 2º lugar os VelvetStone e em 1º lugar
os Stampkase (S. Miguel). Enquanto o júri decidia a
classificação final, actuaram os Volcanik, banda
vencedora da edição do ano passado. Deram um
espectáculo muito consistente, que não variou muito dos
dois anteriormente realizados pelo conjunto, forte, muito orelhudo, com
temas compostos por linhas muito simples, a primar essencialmente pelo
trabalho de bateria que parece ser a alma de toda aquela energia
libertada em palco. Talvez à espera de uma consistência no
que concerne ao “line up”, o conjunto não se tem apresentado ao
vivo e assim ficamos à espera de novidades daquela que é
considerada como uma das melhores bandas da ilha Terceira. De notar que
o conjunto apresentou no final da sua actuação o seu
primeiro vídeo clip, “home made”, com a
participação de amigos e com ideias muito interessantes
que resultaram no produto final.
Quanto ao concurso e voltando ao assunto principal deste artigo, refiro
que a participação de publico nas três noites foi
espectacular e prova, mais uma vez, que o Rock está aí e
cheio de força. Deixo de seguida uma breve imagem, na minha
opinião, do que foram todos os conjuntos neste concurso e a sua
prestação. Parabéns a todos!
4Skaken
Composto por elementos experientes e muito rodados em palcos, os 4Saken
mostraram um som muito interessante, ora melodioso, ora pesado,
variando com a uma voz segura e alguns momentos técnicos de
salientar. A presença em palco do guitarrista solo ajudou em
muito à energia que era transmitida ao público e
conseguiram passar à final. No segundo dia não tiveram
uma actuação tão bem conseguida, mas deixaram uma
excelente impressão e vontade de ver uns 4Saken mais bem
ensaiados e com a mesma energia que inauguraram este concurso.
Espera-se continuidade.
Amnnezia
Com uma sonoridade mais virada para o Pop Rock, este conjunto
demonstrou qualidade, essencialmente nas linhas de baixo e bateria. As
vocalizações necessitam de mais trabalho, o que
não denegriu a sua actuação, ainda assim
não se notou um completo à vontade dos elementos, sendo
talvez só uma questão de tempo para que consigam
transmitir os seus sons e sentimentos de um modo mais claro. Não
passaram à final, mas ficou presente a existência de mais
um bom conjunto a explorar.
VelvetStone
Já conhecidos dos Terceirences, este grupo apresentou-se com
muita garra neste concurso e apesar da relativa simplicidade da sua
composição, ninguém fica indiferente ao som pesado
e sombrio que carregam. Com um guitarrista novo na
formação, talvez fosse de esperar mais alguma frescura
nas suas musicas, o que não se verificou, ainda assim, foram
consistentes o que lhes levou à final e a arrecadarem a 2º
posição final, sendo a banda Terceirence melhor
classificada. Talvez à espera de melhores dias, depois de tempos
algo conturbados no seio do conjunto, este poderá ter sido um
incentivo a fazerem mais e melhor, provando no entanto que são
um nome a ter em conta.
Sodium
Os Sodium não tiveram uma actuação brilhante,
apesar de se notar muita energia em palco e alguma cumplicidade entre
os elementos. Com um som Rock com muitas quebras seguidas de picos
vertiginosos, o conjunto não surpreendeu e talvez por isso
não tenha passado à final. Nota positiva para o
vocalista, que apesar de “lesionado” e de ter que tocar sentado, acabou
por ser o mais irrequieto em palco e o mais interessante musicalmente.
The Punkrias
A única banda Punk a actuar neste concurso demonstrou muita
imaturidade e falta de ensaio. Apesar dos “riff´s” interessantes,
não souberam transmitir as suas ideias, sendo que havia alguma
falta de coordenação entre bateria e baixo. Não
passaram à final, mas para quem teve neste praticamente o seu
primeiro concerto ao vivo, demonstraram coragem e vontade de continuar.
Com tempo tudo se resolve.
Stampkase
A primeira banda micaelense a actuar neste concurso, trouxe muita garra
e um som muito pesado na onda Metal Core, que está muito na
moda. Dois excelentes vocalistas, dentro do género, uma guitarra
muito pesada e trabalhada e uma secção rítmica
muito interessante e coordenada, tudo resultou em 3 temas demolidores
que os levaram à final e a sagrarem-se vencedores deste
AngraRock, o que prova que a música pesada também tem
lugar entre os melhores. Muita presença em palco e de olhos
fixos no público, foi no entender do júri a melhor banda
presente nas duas noites. Parabéns.
Psy Enemy
Outro conjunto do mesmo género do anterior, mas este só
com uma voz, também conseguiram mostrar muita cumplicidade e
excelente presença em palco. Nota mais que positiva para o baixo
e bateria, talvez os melhores sectores desta banda que apesar de ser
muito pesada, de quando em vez rasgava com melodias cativantes.
Passaram à final embora não acabassem nos 3 primeiros.
Mais um conjunto de S. Miguel a mostrar muita maturidade e a alertar
para o facto de também lá se fazer bom som.
Al-Maçã
Apesar de não ser uma banda Rock, os Al-Maçã
apresentaram-se novamente neste concurso, se bem que este ano com um
som muito mais cativante, devido à inclusão de uma
bateria no line up. Não pareceu existir uma
ligação entre os elementos, que não estavam
à vontade em palco e isso notou-se nas suas músicas.
Não foi de resto um som muito cativante, talvez também
por isso a final não foi um objectivo alcançado.
Crossfaith
Mais uma banda micaelense e mais um som extremamente cativante. Muito
bem trabalhado a nível de bateria, guitarra, baixo e teclas, o
conjunto só pecou nas vocalizações que eram
realmente de fraco nível. Se tivessem apresentado aqueles
três temas só na parte instrumental, talvez arrancassem
mais aplausos. Não passaram à final e devem ter ido para
casa com a noção que uma banda com aquela qualidade,
merece um vocalista com muita qualidade. E ai sim, teríamos tido
um excelente conjunto.
Penumbra
Veteranos em participações no AngraRock, os Penumbra
foram sem dúvida das bandas que mais surpreenderam na
edição deste ano. Com a inclusão de teclas, o
conjunto ganhou e de que maneira! O ultimo tema apresentado é
fabuloso e veio aliviar um pouco aquele rol de temas variadas vezes
tocados e que necessitavam de um pouco de ar fresco. Foi bom ouvir um
tema novo dos Penumbra e notar que as teclas fazem desta uma banda
diferente e mais competitiva. Passaram à final e apesar de a
segunda actuação não ter sido tão feliz
como a primeira, arrecadaram o 3º lugar, merecido.
|