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S.João admite negligência na troca dos dois bebés

 Mães deixaram hospital juntas
com os bebés trocados ao colo

Confusão desfeita, anteontem à noite, com entrega dos bebés às mães junto à igreja da Folgosa, na Maia


Inês Schreck*

OHospital de S. João assumiu a inteira responsabilidade pela troca de dois recém-nascidos, de sexo diferente, entregues erradamente aos pais, anteontem à tarde. A direcção da unidade de saúde esteve durante todo o dia de ontem a investigar o caso, ouvindo os pais dos bebés envolvidos e os profissionais do S.João. Para já, o inquérito preliminar permitiu concluir apenas que houve "uma quebra no cumprimento estrito de um procedimento de segurança instituído no hospital, relacionado com a não manutenção da pulseira identificadora até ao momento da alta". Falta, no entanto, saber quem terá cometido o erro. O hospital garante que as averiguações vão continuar até "ao completo apuramento de responsabilidades objectivas".

Recorde-se que, tal como o JN noticiou ontem, os bebés foram erradamente entregues aos pais, que não repararam nas diferenças dos filhos até ao final do dia. A troca terá ocorrido após as crianças receberem alta médica do serviço de fototerapia, onde estavam internados há cinco e seis dias, respectivamente, por terem icterícia. O erro só foi detectado quando o pai de uma das crianças notou que em vez de uma menina tinha um menino em casa.

A troca foi desfeita ao início da noite de anteontem com a entrega das crianças às respectivas famílias, junto à igreja da Folgosa, na Maia, concelho onde residem as duas famílias.

"Fiquei histérica"

"Quando recebi o telefonema do hospital fiquei completamente histérica", contou, ao JN, Helena Maria. De imediato, verificou que não tinha consigo o filho, mas uma menina.

"Fiquei muito nervosa e quando fomos trocá-los só consegui perguntar como é que aquilo tinha acontecido. Mas não me souberam responder", recorda, suspirando de alívio com a "história macabra" que acabou por ter um final feliz.

Conforme admite o hospital, a troca só foi possível porque as pulseiras electrónicas de vigilância, colocadas nos pulsos ou tornozelos dos bebés, foram retiradas antes das crianças receberem alta médica (ler em baixo como deve funcionar o sistema de segurança).

"Na verdade a grande maioria tira as pulseiras antes de sair do hospital, depois levam-nas para casa de recordação", admitiu, ao JN, Nuno Montenegro, chefe do serviço de Obstetrícia do S. João.

O responsável garantiu ainda que vai propor à administração do hospital medidas de segurança suplementares para que não se volte a repetir um erro como o de anteontem. "Desde que cá estou, é caso único", salientou o médico.

*com António Soares

Saíram no mesmo elevador com bebés trocados ao colo

Helena Maria ainda não acredita no que aconteceu. Anteontem de manhã recebeu um telefonema do hospital para ir buscar o filho que se encontrava internado há cinco dias no serviço de fototerapia do S. João por ter icterícia. Quando chegou ao hospital, por volta do meio-dia, estranhou que o rapaz estivesse vestido de cor-de-rosa. Comentou o facto com o marido e vestiu-o de azul, sem, no entanto, lhe ter retirado a fralda. "Não fui eu que lhe pus a roupa cor-de-rosa", garantiu, ao JN. Ao despir o bebé, Helena não percebeu que não se tratava do seu filho. "Disseram-me que era aquele e que lhe tinham acabado de mudar a fralda. Eu acreditei. Mas na altura pareceu-me um pouco mais gordinho", recorda. A progenitora já tinha contactado com a mãe da outra criança, brasileira, com quem acabaria por ocorrer a troca. "Chegou a dizer-me que os bebés eram muito parecidos e que quase trocava a filha dela pelo meu", contou Helena. Depois dos recém-nascidos receberem alta médica, as duas mães saíram do hospital no mesmo elevador com os filhos ao colo, mas trocados... "Quando descemos até houve quem dissesse que eram muito parecidos", acrescentou. O JN tentou contactar a outra família envolvida no caso, mas ninguém atendeu na habitação.

fonte: Jornal de Notícias
12.05.06