Vídeo jogos violentos deixam os jovens
insensíveis à violência real

ANN ARBOR - Os
videogames violentos alteram as funções cerebrais e fazem
com que os jovens "viciados" nesses jogos se tornem insensíveis
à violência real, segundo estudo divulgado nesta
terça-feira.
O autor do estudo, Brad Bushman, professor de psicologia do Instituto
de Pesquisa Social da Universidade de Michigan, disse que a "pesquisa
é a primeira a relacionar o hábito de jogar videogames
violentos com uma menor reação frente a cenas de
violência". Até agora, "se sabia que estes jogos
estimulavam um comportamento agressivo e diminuíam a
noção de solidariedade", comentou Bushman.
Professor de psicologia da Universodade de Missouri-Columbia, Bruce
Bartholow também participou do estudo e comentou que "a maioria"
das pessoas "tem uma aversão natural a imagens de sangue e
ferimentos", mas os "médicos e soldados acabam superando essa
reação para poder realizar suas funções
profissionais".
Na pesquisa, da qual também participaram pesquisadores da
Universidade da Carolina do Norte, 39 universitários foram
entrevistados sobre a freqüência com que jogam esses
videogames e o nível de violência contida nos produtos.
Foram avaliados, também, aspectos como irritabilidade e
agressividade, através de questionários
específicos.
Depois, os pesquisadores, através de um procedimento chamado
eletroencefalograma, mediram a amplitude de uma onda específica
no cérebro, a P300, que indica as reações a
estímulos, como ver fotografias. Aos universitários foram
mostradas imagens neutras (uma letra, um nome, por exemplo), e logo
depois imagens com cenas de violência (com um homem apontando um
revólver para a cabeça de outro), ou uma imagem negativa,
mas não violenta (um pássaro morto, por exemplo).
Os pesquisadores verificaram que a resposta às imagens
agressivas entre os jovens que frequentemente jogavam videogames
violentos foi menor do que a verificada entre os demais participantes.
Os resultados desta experiência sugerem que os "viciados" em
games violentos sofrem danos a longo prazo em suas
funções cerebrais e em seu comportamento, segundo
disseram os pesquisadores.
O estudo será publicado na próxima edição
da revista científica "Journal of Experimental Social
Psychology".